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Bahia começa escalada de casos do coronavírus

22/04/2020


A Bahia teve o primeiro caso de coronavírus em 06 de março, em Feira de Santana. Passou de mil na última sexta-feira, 17 de abril. Foram necessários 42 dias para ir de 1 até 1.000 casos.
Bastaram quatro dias, porém, para este número aumentar 50%. O balanço desta terça, dia 21, fechou em 1.504 confirmações. 


É um dado eloquente para demonstrar a velocidade com que a doença se alastra a partir do momento em que o número de pessoas contagiadas cresce e vai ficando mais difícil controlar. Inclusive porque o número de casos confirmados é inferior ao real, dado a pequena quantidade de testes, reservados aos que têm sinais claros da doença (muitas vezes o resultado sai após a morte). Ou seja, há muito mais que 1.500 pessoas espalhando o vírus.


A Bahia adotou uma grande quantidade de providências para tentar conter o avanço da doença, sobretudo pela atuação do governador Rui Costa e do prefeito da capital, ACM Neto, que deixarem de lado as muitas divergências políticas e adotaram ações conjuntas e/ou complementares. 


Tudo isso, porém servirá de argumento para os contrários à quarentena afirmarem "tá vendo? Não adiantou nada". 


A primeira morte no estado aconteceu em 29 de março. Neste dia 21, os óbitos chegaram a 48, antes da escalada fatal que vai acompanhar a falta de vagas para todos os doentes na rede hospitalar. A região Ilhéus-Itabuna vem se configurando como a primeira que pode sair do controle (as duas cidades somadas têm hoje oficialmente 150 casos, enquanto Feira está em 61).


Nunca se teve a ilusao de que a explosão de contágio deixaria de ocorrer. Raros países lograram este sucesso. Alguns acharam que conseguiriam, sem apelar ao isolamento e se deram mal (Suécia, Japão, Holanda e, talvez o caso mais desastroso, Inglaterra). Excluindo aqueles cujos dados não são confiáveis, podem ser citados entre os bem sucedidos Alemanha, Nova Zelândia e Finlândia. Mesmo estes, não se permitiram relaxar e deixar de lado as medidas de restrição da circulação e aglomeração de pessoas.


No Brasil, onde no Poder Executivo a tarefa ficou a cargo de prefeitos e governadores, porque o presidente sabotou inúmeras vezes os esforços de contenção, tentou-se fazer um esforço para retardar o colapso. Se o presidente não fosse quem é, mais alguns dias teriam sido ganhos para uma preparação um pouco mais adequada. Evitar completamente o colapso, entretanto, seria impossível. Está acontecendo em Manaus primeiro, os próximos serão Belém, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. Difícil imaginar que algum estado escapará. 


O colapso chegará também à Bahia. Nesta epidemia o Brasil ficará mais parecido com o Equador do que com qualquer outro país cujas notícias nos chegaram até o momento. Talvez fique pior.


No auge ou após a tragédia, muitos ainda insistirão: "Pois é, muitos são os mortos e mais ainda os falidos e desempregados". Nunca aceitarão que sem a contenção que se conseguiu fazer por pouco tempo - apesar da inércia,  boicote e sabotagem de Brasília - o número de mortos seria maior, bem como o custo econômico.


O Brasil terá que ser reconstruído, antes de ter sido construído. 

 

 

O Hospital Espanhol, privado, e que estava fechado, foi requisitado na Justiça pelo estado, adaptado e reabre nesta quarta (22) para tratar pacientes da epidemia

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