Vladimir Aras cogita entrar para a política

05/09/2019

 

 

Em diálogo no Telegram com o chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba,  vazado pelo The Intercept, o procurador baiano Vladimir Aras admite o ingresso numa disputa política como "uma possibilidade". Ao mesmo tempo, avalia: "não está na hora para mim. Mas nunca descarto no futuro".

Reprodução do site The Intercept

 


A conversa se deu em fevereiro de 2018 e o assunto principal era uma possível candidatura de Dallagnol ao Senado, pelo Paraná. Dallagnol provocou a confissão do colega baiano, ao dizer "Vc seria um excelente deputado ou senador pela BA".


Foi de Vladimir uma das frases que mais se destacaram na reportagem publicada na noite de terça-feira, dia 3, por desnudar o cálculo político dos procuradores. ‘Vc se elege fácil e impede um dos nossos inimigos no Senado: Requiao ou Gleise caem’, disse, incentivando Dallagnol a se candidatar. Seria na eleição do ano passado.


Quando diz "inimigos", Vladimir refere-se à inimizade contra a operação, naturalmente, já que Gleisi (a grafia correta é assim, com a vogal i no final) e Requião sempre foram pródigos em atacar a Lava Jato, muito antes do vazamento divulgado na imprensa desde junho.


Diversos colegas trataram do assunto com o procurador paranaense, que cogitou seriamente lançar-se na disputa mas acabou chegando à conclusão de que era melhor ficar onde está, deixando para 2022 a possibilidade de concorrer a mandato eletivo.


Vladimir era candidato ao comando da PGR no lugar de Raquel Dodge. Tinha apoio de Dallagnol. Os últimos acontecimentos naturalmente o deixaram fora de qualquer possibilidade de assumir o cargo (coincidentemente o escolhido anunciado nesta quinta-feira foi um primo dele, Augusto Aras). Na política partidária Vladimir não teria o mesmo prestígio do interlocutor, já que está longe daquele grau de notoriedade do chefe da força-tarefa, procurado pelo Podemos, de Álvaro Dias, partido que ofertou-lhe a vaga. O cenário político baiano não ofereceria tal possibilidade a Vladimir.


O procurador paranaense foi cogitado também para a PGR e teve a seu favor campanhas na internet, mas acabou publicamente descartado pelo presidente Bolsonaro, que republicou postagem de terceiros qualificando-o como esquerdista. Do Psol. 

A partir deste ponto os ataques da rede bolsonarista se ampliaram. O guru do movimento que levou Bolsonaro à presidência, Olavo de Carvalho, chegou ao cúmulo de insinuar que Dallagnol, e quem sabe até Sérgio Moro, fariam parte de uma conspiração para levar a esquerda de volta ao poder


Como se sabe, não há limite para o delírio.

 

Procurado pelo site Sala de Notícia, Vladimir Aras foi lacônico ao comentar um possível ingresso na carreira política: - Um dia quem sabe.

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