29 de junho, aniversário do BRT

29/06/2019

 

 


Hoje (29) é aniversário do BRT. Não tem parabéns, bolo nem refrigerante, mas é. Não deveria ser, porque o aniversário teria que ser na data da inauguração. Mas como esta nunca ocorreu e nem se sabe quando ocorrerá, resta lembrar a data do início das obras.


Lembrar, não comemorar, é claro. Acho que quem bancou a ideia, o governo José Ronaldo, que saiu mas continua, preferiria até que ninguém lembrasse. 


Pois então. Foi nesta data, em 2015, há quatro anos portanto, que o então prefeito, ladeado pelo ministro Gilberto Kassab e pelo governador Rui Costa (e mais o senador Otto Alencar e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Nilo), assinou a ordem de serviço e simulou execução a toque de caixa, mandando fazer terraplanagem no terreno ao lado do palanque no bairro Sítio Novo, onde estava previsto funcionar logo uma estação do sistema. 


O cronograma previa a conclusão em 20 meses. Me refiro à conclusão de tudo, todo o BRT, não somente daquela estação também jamais inaugurada. 


Se alguém duvidar, posso enviar o documento da prefeitura que contém os prazos previstos para cada etapa. Ora, 20 meses não bastaram nem pra construir as trincheiras da Maria Quitéria e da João Durval. 


E houve o que, afinal, com esta obra, que previa gastos de R$ 100 milhões para o município e ainda não tem data prevista para começar a funcionar (e se o governo anunciar alguma, ninguém acredita)?


Quando é questionado o atraso da obra, há uma versão cínica governista que atribui culpa aos gatos pingados que acamparam na avenida Maria Quitéria, em protesto contra a remoção de algumas árvores.


É uma mentira grotesca por duas razões. A ocupação durou menos de dois meses (começou em 4 de setembro de 2015 e foi desmanchada pela guarda municipal em 26 de outubro); e o acampamento não gerava atraso na execução, porque outras ações poderiam ser realizadas enquanto havia um impasse ali.


Não podendo ser este o motivo do atraso, qual seria então? Ninguém explica, até porque não há uma explicação aceitável convincente.


A obra, mal planejada, mal debatida e mal executada, limitou-se a oferecer à cidade os chamados túneis, que uns tontos acham que são um grande marco urbanístico da história feirense. Na prática representam o que chamo de "solução para um problema que não existia". 


Uma solução caríssima, desnecessária e demagógica, pois nunca foi sincera. Porque a grande motivação a justificar o gasto num sistema que hoje não merece sequer a alcunha de elefante branco, seria melhorar o transporte coletivo e o tráfego. Coisa que a prefeitura demonstra incansavelmente não querer fazer ou não ter competência para fazê-lo.

 

É um operário. Mas poderia ter sido um ator, no dia do início das obras

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