Colbert tem um ano de validade, prorrogáveis por mais cinco

17/11/2018

É cedo para tratar de 2020, diz o prefeito Colbert Martins. Pode ser que esteja sendo sincero. Pode ser que esteja certo. As eleições de 2018 foram dominadas pelo desejo de mudança e tanto ganharam candidatos que faziam campanha há anos pela internet quanto outros que subiram só na reta final. Portanto, não dá pra dizer que há uma estratégia geral aplicável a todos.

 

Marqueteiros dizem que quem pretende ser prefeito daqui a dois anos tem que entrar em campo de imediato. Entretanto Colbert como ocupante do cargo já está em campo.

 

Esta antecipação porém implica em que ele também já está em julgamento. E a meu ver tem um ano para mostrar serviço de maneira que possa se credenciar como candidato do grupo de José Ronaldo ou como autônomo, caso não estejam no mesmo barco. É pouco provável que possa conquistar um lugar no coração do eleitor se deixar para fazer isso só no ano da eleição. Portanto, 2019 é o ano que vai determinar se Colbert terá condições de governar até 2024.

 

Sua candidatura com apoio do grupo a que pertence não está assegurada. Foi o próprio Ronaldo quem deixou claro que seu apoio não é automático quando se recusou em entrevista logo após a eleição a declarar apoio a Colbert. "Se eu responder nome agora estou cometendo o maior erro da minha vida", disse enfático.

 

Confirmar Colbert mesmo que as circunstâncias levassem a outro nome mais à frente seria no mínimo uma questão de cortesia, mas o cacique da política de Feira nunca fez questão nem de ser cortês nem de prestigiar seus aliados.

 

Colbert terá que brigar pela indicação e só poderá fazê-lo se estiver forte. Para estar forte tem que impor uma marca e estilo. Ou alguém acha que o que se vê neste período desde abril, quando Ronaldo se desincompatibilizou, credencia Colbert à reeleição? Me parece evidente que não. 

 

Porém a tentativa de impor-se ocorrerá no ambiente de um governo onde quase todos os ocupantes de cargos de confiança prestam obediência mais ao ex do que ao titular do Executivo. É, pois, um jogo de xadrez.

 

E é, como se previa, um repeteco do período Tarcízio Pimenta. Este consumiu todo o mandato num flerte com Jaques Wagner que não deu em nada e acabou se isolando, perdendo também a confiança e o apoio ronaldista. Deu vexame como candidato à reeleição e terminou em quarto lugar em 2012 (dá uma olhada no texto "O pior desempenho do Brasil" na página 5 desta edição em PDF da Tribuna Feirense após a eleição daquele ano).

 

A grande diferença para a situação de Colbert é que em 2012 a frágil criatura enfrentou o onipotente criador, porque Ronaldo podia ser candidato. Foi e venceu com um pé nas costas. 

 

Em 2020, se não quiser Colbert, o ex-prefeito terá que lançar outro. Na fila tem até o momento Lázaro e Dayane Pimentel, os nomes com densidade eleitoral que andaram mais próximos de Ronaldo na campanha deste ano. Zé Chico? Não. Ronaldo não brinca de disputar eleição. Se não der não deu, mas ele só entra pra ganhar.

 


Ronaldo e Colbert em 2016, ano em que lançaram a chapa que disputou a prefeitura

 

 

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