Quer votar para presidente em alguém novo? Restam poucas opções

16/07/2018

À esquerda Guilherme Boulos pelo Psol. À direita, João Amoedo, pelo Novo. São os nomes nesta eleição que podem ser considerados novidade na política partidária. No mais, está indo por terra a possibilidade de votar em quem não seja político tradicional.

 

No final de abril, o Huffpost apresentava uma lista com 22 pré-candidatos a presidente. A esta altura, Luciano Huck, um dos nomes fora da política aventados para esta eleição, já não era mais pré-candidato. Daqueles 22, restam 19 (não constam mais o presidente Michel Temer, o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa e o empresário Flávio Rocha, que anunciou desistência sexta-feira).

 

Destes três que deixaram a lista, dois eram novidade. Dos 19 que ficaram, só quatro não são políticos de carreira. Os já citados Boulos e Amoedo, além do economista Paulo Rabello de Castro e da jornalista Valéria Monteiro (cujo partido não quer mais ter candidato, preferindo fazer alguma aliança).

 

Há outros 15 nomes no páreo. Até o fim do mês a lista vai encolher, com desistências em nome de alianças. Quase todos são figurinhas repetidíssimas: Lula, Bolsonaro, Alckmin, Marina, Ciro Gomes, Aldo Rebelo, Manuela D'Ávila, Álvaro Dias, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles e Fernando Collor. Estes 11 já foram tudo: ministros, governadores, deputados, senadores, candidatos a presidente, presidente que estreou o impeachment no Brasil, presidente da Câmara. Depois surgiu também tentando obter a vaga de candidato pelo PSD, o ex-presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, que em 1989 já estava candidato a presidente.

 

E quem são os outros? João Vicente Goulart, filho do presidente deposto João Goulart, de fato tem escassa experiência eleitoral, mas largo currículo na militância, tendo sido fundador do PDT, partido pelo qual o tio Leonel Brizola disputou as eleições presidenciais de 1989.

 

Os três que faltam são nanicos mas não novatos. Vera Lúcia (PSTU) já disputou algumas eleições pelo PSTU em Sergipe. Levy Fidelix e José Maria Eymael estão em todas as eleições. Como são donos dos seus partidos, curtem de quatro em quatro anos seus 15 segundos de fama.

 

A impossibilidade de ser candidato avulso (sem partido) é um dos fatores mais determinantes para que não haja renovação. Os políticos tradicionais criam assim uma reserva de mercado. Um candidato novo dificilmente tem oportunidade de furar as estruturas partidárias e obter uma vaga para concorrer em partido grande e mesmo nos pequenos estão sujeitos aos desmandos e manobras da política tradicional.

 

O sistema se protege, como faz também ao privilegiar quem já tem mandato nas eleições proporcionais. 

 

Com tão poucas opções, fica muito difícil para o eleitor renovar a representação política e sonhar com mudanças mais profundas na deplorável administração pública brasileira. Principalmente se ficarmos apenas a esperar que do Executivo Legislativo e Judiciário saiam iniciativas para promover estas transformações.

 

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