Concorrer ao governo é a única opção de ACM Neto

09/03/2018

Convenção do DEM, que lançou Rodrigo Maia ao Planalto e pôs ACM Neto na direção do partido

 

 

 

 

Dizem que ACM Neto alimenta o sonho familiar da presidência, interrompido pela morte precoce do tio Luís Eduardo. Se é verdade, só o passar dos anos poderá demonstrar. 


Não é segredo porém que ele gostaria de ser governador e obviamente esta é uma progressão necessária para quem ainda tem muitos anos de carreira política pela frente.


Em 2014 os mais afoitos já o queriam na disputa, embora ele estivesse apenas no segundo ano do mandato para o qual foi eleito em 2012. Já naquele momento, usufruía de popularidade, sucedendo o desastroso João Henrique que desgovernara Salvador por oito anos. Havia também na afoitice o peso do nome, já que muitos adoradores de ACM, o primeiro, se impacientam para ver um herdeiro ocupar o lugar. Sabiamente, o neto não se deixou levar e ficou onde estava. Porém, desde então, todos sabiam que na próxima o candidato do carlismo estava definido. A consagradora reeleição (74% dos votos) selou de vez tal convicção.


Foi só a partir do carnaval que ACM Neto passou a declarar abertamente que a renúncia necessária para concorrer ao Palácio de Ondina poderia não ocorrer. 


Em parte era tática para tentar abrir caminho rumo ao PP, ao PR e à destituição dos Vieira Lima do comando do PMDB, pois ninguém pode fazer campanha carregando o peso de malas e caixas contendo mais de R$ 50 milhões. 


Em parte era dúvida sincera, pois desperdiçar meio mandato muito bem avaliado para arriscar-se em empreitada tão incerta não parece sensato. 


Por que incerta? Porque nada se faz neste ramo sem pesquisa e por meio delas a oposição reconhece que Rui Costa, eleito em 2014 como um relativamente desconhecido candidato de Jaques Wagner, é hoje um governante aprovado pela população. A capital representa tão somente um pouco menos que 20% dos eleitores baianos. E mesmo nela, o governador investiu pesado, para angariar uma parcela expressiva de votos.


Por que dizer então, como está no título, que ACM Neto tem que concorrer? Porque as circunstâncias fazem da desistência uma confissão de fraqueza que só atrapalha os planos futuros. Se renunciar e for derrotado, perde dois anos de mandato. Já os correligionários insuflam a candidatura do prefeito porque só têm a ganhar com ela. Para seus próprios projetos eleitorais, candidatos à Assembleia e à Câmara Federal precisam do nome mais forte possível. Se não tiverem a tal "perspectiva de poder", abandonam o navio. E um grupo fragmentado só trará mais dificuldade para a campanha seguinte, a de 2022. Além do mais, quem disse que na próxima as chances serão maiores? O DEM já errou feio em 2014 ao oferecer ao eleitor o nome do desgastado ex-governador Paulo Souto, àquela altura com prazo de validade vencido para disputas eleitorais. Perdeu a chance de pelo menos começar a construir uma alternativa.


No plano nacional, o DEM posa agora de protagonista, com as pretensões presidenciais de Rodrigo Maia. E não é jogo de cena. No embaralhado e superpovoado cenário eleitoral, é lícito apostar na viabilidade da candidatura de centro-direita e obrigatório duvidar das possibilidades do tucano Alckmin, que está com dificuldade de pacificar a própria "casa" em São Paulo. Como, porém, aspirar à presidência se um dos candidatos mais viáveis do DEM correr da disputa no estado que tem o quarto maior colégio eleitoral e onde poderia provocar rachaduras em uma das principais fortalezas do PT?


Perder em outubro é natural. Mesmo assim, algum ganho a campanha trará, nem que seja somente plantar para 2022. Desistir da disputa é perder duas vezes.
 

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