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Acumulam-se os sinais de desistência de ACM Neto

14/02/2018

Em pleno sábado de carnaval notas em coluna política do jornal Estado de São Paulo, o Estadão, listaram uma série de justificativas para ACM Neto não sair candidato ao governo em 2018. Todas esfarrapadas: teria que renunciar em abril enquanto Rui Costa faz campanha no cargo; em caso de derrota, ficará fora de disputa eleitoral até 2022 (o que seria "tempo demais longe do eleitor para quem depende de votos"); é bem avaliado como prefeito e deve aproveitar isso até o fim; e finalmente, se Rui for reeleito o PT fará quatro mandatos (16 anos) no comando do estado, o que levará a um desgaste natural facilitando para os adversários a eleição do hoje longínquo 2022.


Ora, todas estas condições estavam presentes desde sempre e nunca foram impedimento aos entusiasmados planos de conquista do governo estadual pelo DEM. O desgaste do poder já era argumento usado nos prognósticos contra o PT desde a eleição para o governo em 2014. A boa avaliação de Neto como prefeito, ao contrário de gerar apego ao cargo, era motivação, quase um convite, para lançar-se a novas conquistas. De repente, o que era vento na popa virou âncora?


O que ocorre é que a bola murchou mesmo, dado o fortalecimento de Rui Costa junto ao eleitorado e a muralha das alianças políticas que o petista vem conseguindo manter de pé. O atual governador venceu a eleição quando era um desconhecido e começando nas pesquisas com percentuais abaixo de 10%, inferiores aos de Lídice da Mata. Para 2018, a primeira pesquisa do Instituto Paraná, em julho do ano passado, apontava vitória de ACM Neto, mas com Rui partindo de um patamar já de 26%. De lá para cá outros levantamentos mostraram redução da distância. Um cenário de risco que, de fato, o jovem prefeito não precisa correr, mesmo dizendo que, para ele, ganhar ou perder não importa e o que vale é pensar no grupo e no longo prazo.


Foram diversas as declarações dadas durante o carnaval que apontam para um freio nas pretensões de ACM Neto, mas fiquemos com as do jornal da família, sempre pronto a descortinar diretamente ou nas entrelinhas, o que vai na cabeça do clã.


A coluna Satélite, do jornal Correio, edição desta quarta de cinzas (14), lista os três fatores pró e contra a candidatura: pesquisas favoráveis, PT desgastado e ausência de Lula no pleito são os fatores positivos. E os negativos, a impopularidade de Temer, a falta de um forte candidato a presidente aliado, e a situação do PMDB baiano, onde até hoje Geddel, mesmo preso, não foi afastado do comando, sendo portanto o mais inconveniente de todos os aliados, embora necessário, devido à estrutura e tempo de TV que vêm com o partido.


Listados os fatores, o desfecho: pesará na decisão a opinião de amigos fora da política e estes são "majoritariamente contrários à candidatura".


São muitos os indícios de uma desistência, hipótese que até recentemente sequer era cogitada, embora a candidatura também jamais tenha sido formalmente declarada. 


A decisão final será anunciada dentro de um mês, até 15 de março, prazo já pactuado com o prefeito de Feira de Santana, "nome certo na chapa oposicionista" segundo ACM Neto. 


O clima é de quem bate em retirada e só o imponderável mudará isso. A prestigiada coluna do jornalista Elio Gaspari que circula aos domingos na imprensa nacional, noticia uma possível investida da Lava Jato contra Wagner e Rui. De fato, o governador tinha até recentemente pavor de ser envolvido na Lava Jato. Hoje, a operação perdeu boa parte do encanto e só um tiro muito certeiro da Polícia Federal ou do MPF poderia abalar os rumos da disputa.


Os sinais emitidos durante a folia foram de que, saindo ACM Neto do páreo, assume o posto de desafiante do PT o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo. Mas isso é assunto para outro texto.

 

 

 

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