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Para evitar confisco de ônibus, São João pede recuperação judicial

31/10/2017

A empresa de transporte coletivo São João, que atua em Feira de Santana e no interior paulista pediu à justiça baiana recuperação judicial, alegando que o pagamento da dívida bancária contraída para compra de veículos está causando prejuízos anuais que não podem ser suportados.

 

A recuperação judicial, que suspende os pagamentos e determina a apresentação de um plano para alongamento da dívida, a ser avalizado pelos credores, visa essencialmente impedir que os veículos em uso pela população sejam tomados, pelos agentes financeiros, da empresa de transporte. "Caso os ônibus sejam apreendidos esta não terá mais como continuar exercendo as suas atividades", apela a São Joao.

 

A outra operadora do sistema em Feira de Santana, viação Rosa, teve dezenas de ônibus confiscados para pagamento ao banco no início deste ano.

 

Apresentação da nova frota de ônibus em Feira de Santana, em dezembro de 2015

 

Na petição encaminhada à justiça em 9 de outubro, a São João alega que em 2014, antes de iniciar atividade em Feira de Santana, teve lucro líquido de R$ 2,5 milhões. "Porém a partir do exercício de 2015, passou a acumular prejuízos", acrescenta. Os prejuízos vão a R$ 3,5 milhões em 2015, R$ 11 milhões em 2016 e em 2017 já alcançam R$ 8,6 milhões até agosto, segundo os dados apresentados. No contrato firmado com a prefeitura as empresas se comprometeram a iniciar a operação com uma frota zero quilômetro, embora esta não fosse uma exigência do edital da concorrência.

 

A São João afirma que antes de recorrer à recuperação tentou negociar com o credor mas não teve sucesso, pois os bancos têm "postura cada vez mais gulosa e lucrativa" e são "insensíveis às graves dificuldades que assolam a atividade empresarial no país".

 

Além do gasto com o pagamento da dívida bancária, os advogados queixam-se que a receita é "impactada pelo enorme e crescente aumento de transporte clandestino de passageiros, que não sofre a correta fiscalização por parte do poder público". E citam até os aplicativos de celular para transporte e as motos compradas com parcelas de baixo valor como elementos que reduzem o número de passageiros.

 

Mas acabam por revelar que não estão tendo prejuízos na operação do sistema. "Tendo em vista que a operação em si é lucrativa, devem ser mitigadas as despesas que mais impactam em seu fluxo de caixa", ressaltam, numa referência à dívida bancária. 

 

O documento revela as receitas dos últimos três anos, considerando toda a empresa, fundada em 1963, que opera em São Paulo e na Bahia. Foram pouco menos de R$ 67 milhões em 2014 e 2015, saltando para R$ 97 milhões em 2016. Em 2017 foram R$ 65 milhões até agosto. "O problema da requerente é essencialmente a corrosão do seu fluxo de caixa pelas elevadíssimas parcelas de financiamento bancário", explicam os advogados que assinam a petição, Vinícius Camargo Silva e Cícero Camargo Silva, de Votorantim, São Paulo.

 

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