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Feirantes fecham a Marechal Deodoro em protesto contra remoção

Fonte: Acorda Cidade



Foto: Paulo José


Feirantes que trabalham na Rua Marechal Deodoro, em Feira de Santana, bloquearam a via na manhã desta terça-feira (27) numa manifestação contra a remoção. Eles alegam que a prefeitura quer transferi-los para o Centro de Abastecimento sem nenhum tipo de diálogo.


A feirante Edneide Ribeiro disse ao Acorda Cidade que o secretário de agricultura, Pablo Roberto, está afirmando em reportagens que 70% dos feirantes já saíram da Marechal para o Centro de Abastecimento, mas segundo ela, esta informação não é verdadeira.


“Isso é uma mentira absurda. Estamos todos trabalhando, amedrontados, mas estamos trabalhando. A gente quer ficar na Marechal, organizado. A Marechal hoje é uma favela, mas não é por conta dos feirantes, é por conta do próprio poder público que nunca olha por nós, nunca padronizou, e a gente está trabalhando no improviso e agora eles querem não é nem realocar, eles querem expulsar os feirantes da Marechal para as feiras onde já têm lá os feirantes e para o Centro de Abastecimento, que não é viável para a gente de jeito nenhum”, declarou.


A feirante relatou também que não é contra as obras de requalificação do Centro Comercial, mas que ela e os colegas querem se encaixar na obra. De acordo com ela, há alternativas, mas o prefeito Colbert Martins não quer conversa.


Uma feirante que se identificou como Bela contou que os feirantes da Marechal já foram cinco vezes à prefeitura para falar com o prefeito e não conseguiram.


“Ele não compareceu pra falar com a gente, não deu barraca nenhuma. Só fazem falar. Cadê eles para poder virem aqui conversar com a gente? A gente nem conhece Pablo Roberto, é tudo mentira. Queremos organização e não vamos sair da Marechal.


Outra feirante presente na manifestação, identificada como Melinda, contou que acompanhava a mãe, também feirante, desde criança e há dez anos trabalha sozinha. Na opinião dela, é necessário a prefeitura manter um diálogo constante sobre a permanência da categoria em um local adequado. Segundo ela, existe um projeto dos feirantes, mas o prefeito não viu.


“Ele não fez questão de ver e existe sim a possibilidade de inclusão dos feirantes nesse processo de requalificação. Não pode-se ter um projeto de uma cidade como Feira de Santana tendo os feirantes de fora. A classe mais precária de fora desse processo. O município foi constituído a partir de uma feira, o elemento principal é a feira e então a partir disso aí há possibilidade de adequação dentro desse centro aqui”, comentou.


O tenente Barros, da Polícia Militar, relatou que a PM estava no local para salvaguardar a integridade dos manifestantes e da população e confirmou que o protesto do grupo tem caráter pacífico.


O secretário municipal de agricultura e recursos hídricos, Pablo Roberto que também é responsável pelas feiras livres, em contato com o Acorda Cidade, frisou que não existe a possibilidade da continuidade dos feirantes na Marechal da forma que estão, mas o governo vai continuar conversando e dialogando, pois segundo ele, o diálogo sempre existiu e existirá, e o papel do governo é ouvir as pessoas.


“O que nós temos de concreto é que não dá mais para protelar, ficar empurrando o prazo da obra, até porque tem um impacto financeiro e a gente precisa fazer com que as pessoas entendam que nós ofertamos todas as possibilidades e todos esses espaços para os feirantes. Seja o Centro de Abastecimento, a Estação Nova, Cidade Nova, os bairros. Há a possibilidade de comercializar os produtos e que eles possam aceitar uma dessas ofertas para que a gente possa avançar”, pontuou.


Sobre a alegação dos feirantes de que ele mentiu ao dizer que 70% do grupo já saiu da Marechal, Pablo relatou que os dados sobre a transferência dos feirantes para o Centro de Abastecimento foram passados pelo diretor do entreposto, Cristiano Gonçalves.


“Inclusive ontem eu fiz questão de ligar antes para o diretor dessa área para confirmar os números e ele me afirmou que o levantamento que foi feito, 70% daqueles feirantes que estavam na Marechal já aceitaram e apenas 30% resistem em continuar no local que eles estão. A prefeitura mantém todas as ofertas que foram feitas até aqui e vem durante esse tempo se colocando à disposição para dialogar, mas nós precisamos nesse momento também ter bastante clareza e tranquilidade para dar continuidade a essa obra que é tão importante para todos nós aqui na cidade”, declarou.

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