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Após crise das vacinas, prefeitura muda o secretário de Saúde



Foram dois meses de desgaste para o médico Edval Gomes no comando da secretaria de Saúde. O mandato de Colbert Martins (MDB) começou sem secretário e no dia 11 de janeiro tomou-se conhecimento do nome que iria substituir a longeva Denise Mascarenhas. A nomeação foi oficializada no Diário Oficial de 12 de janeiro.


Uma semana depois começou a vacinação contra a covid-19 e com ela os problemas. Edval ontem (11) renunciou à função e já na manhã desta sexta-feira tomou posse em seu lugar o médico ortopedista Marcelo Britto, que sempre esteve do outro lado do balcão, como dono de hospital (HTO), prestador de serviço ao município e representante dos hospitais privados, cuja associação presidiu.


As vacinas começaram a virar um transtorno na saúde municipal desde antes de chegarem, no dia 19 de janeiro. O deputado federal Zé Neto (PT) interceptou o carregamento e melou a aplicação da primeira dose que o prefeito Colbert pretendia protagonizar diante da imprensa em entrevista coletiva.


A estreia ocorreu no Clériston Andrade, num espetáculo com direito inclusive ao desperdício de um frasco que se quebrou.


Depois a prefeitura abriu um drive-thru no estacionamento do shopping. Nele ficou explícito que gente sem vínculo com o enfrentamento direto à covid estava tomando a frente de prioridades reais. O sistema foi logo desativado, em meio às inúmeras críticas sobre a vacinação de jovens que fazem a intersecção do mercado da saúde com o da vaidade.


Depois apareceram vacinados a esposa de um dono de hospital infantil e Jodilton Souza, dono e administrador de hospital.


A prefeitura inventou um cadastramento prévio para os idosos que podiam se vacinar. Está chamando ainda aqueles acima de 77 anos.


A planilha da vacinação emperrou. A prefeitura parou de atualizar o sistema. Com isso ficou abaixo do percentual mínimo exigido e deixou de receber novas doses da Sesab na quarta-feira, como determina a regra fixada em acordo com os municípios.


O prefeito recorreu à justiça (ganhou) e alegou que vacinou tudo que tinha que vacinar, só faltou digitador para lançar os dados. Abriu até uma contratação emergencial, a preferida dos políticos, para contratar vacinadores e digitadores (eu nem sabia que existia essa função específica de "vacinadores"). Quem diria que com tanta cooperativa e contratação precária faltava gente na prefeitura?


Zé Neto diz que não foi bem assim, que diante da falha na aplicação, a prefeitura saiu vacinando muitos fora do grupo prioritário, apenas para alcançar a cota exigida.


O certo é que o secretário se foi, em apenas dois meses. O prefeito disse que foi questão pessoal e familiar. O próprio Edval declarou ao Blog do Velame que a demissão estava solicitada já em fevereiro.


Edval Passos não é um inexperiente que caiu de paraquedas no setor público, com sua cultura própria, regido por normas burocráticas sufocantes e complicadas. Ao ser anunciado informou-se que desde 2010 é diretor técnico do Hospital Dom Pedro de Alcântara, além de professor da Uefs. Foi até saudado como ótima escolha pelo secretário estadual Fábio Vilas-Boas.


E no entanto, mal esquentou o lugar. Não é natural. Talvez não tenha gostado do que viu, e, impossibilitado de reformar, preferiu sair.


O governo municipal até agora não deu sinais de que pretenda mudar os processos de contratação, que servem para contentar a fome de indicações políticas de vereadores e adjacências e driblam o concurso público. Contratações que foram diversas vezes contestados na Justiça - sem sucesso - pelo Ministério Público (que parece ter desistido). Tem poucos dias que o TCM multou Colbert em R$ 5 mil por uma licitação para recontratar uma associação no Hospital da Mulher. Mas a turma vem tirando isso de letra há anos e não parece se importar.


CURRÍCULO DO NOVO SECRETÁRIO


Marcelo Britto é presidente licenciado do Sindicato dos Hospitais Particulares de Feira de Santana, ex-presidente da Associação dos Hospitais Particulares da Bahia e foi diretor do HTO, além de especialista em gestão de unidades de saúde pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, mestre em Administração de Saúde pelo ISCTE/Universidade de Lisboa, em Portugal e bacharel em direito.


Ao assumir, declarou que “a prioridade neste momento é ampliar a quantidade de leitos no Hospital de Campanha e intensificar a vacinação”.

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