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  • Glauco Wanderley

Rui Costa diz que decisão de vender área do Odorico Tavares é irreversível


O governador Rui Costa declarou em entrevista na rádio Metrópole na manhã desta segunda-feira (27), que é irreversível a decisão de vender a área onde funciona o colégio estadual Odorico Tavares. “Naquele local, nem escola particular tem porque não tem demanda pra isto. Respeito quem pensa diferente, mas não posso fabricar dinheiro. Nós vamos vender não somente este imóvel, mas outros também pra construir mais escolas”.

Segundo o governo estadual, a escola vinha perdendo alunos por falta de interesse devido à localização e, tendo capacidade para 3 mil alunos, teve apenas 10% desse número de matrículas em 2019.

“Eu penso que equipamentos de qualidade podem e devem estar onde o povo mora. Na polêmica, fico do lado do povo, de onde eu vim. A escola serve de referência não somente para aprendizado stricto sensu, serve para a prática cultural. Um equipamento educacional em comunidade pobre tem uma função social extraordinária porque vai ser usado nos 365 dias no ano, não apenas nos dias que tiver aula. Salvador praticamente não tem equipamento de convivência social nas comunidades pobres”, justificou.

No programa de rádio, o governador informou que publicará nesta semana licitações para construção de novas escolas. Bairros como Lobato, Paripe, Cabula (Estrada das Barreiras), São Cristóvão, Pau da Lima, Imbuí, Fazenda Grande do Retiro e Vila Canária serão beneficiadas com novos colégios, além de unidades no interior em Teixeira de Freitas, Candeias, Lauro de Freitas e a comunidade quilombola de Laje dos Negros, em Campo Formoso, que já será inaugurada em março.

Segundo Rui, até o fim do segundo mandato (2022), serão mais 60 escolas completas, com 35 salas de aula climatizadas, quadra coberta, biblioteca, piscina, teatro e refeitório.

RESPOSTA

A AGES, instituição que representa estudantes de Salvador, rebateu as afirmações de Rui Costa por meio de nota enviada à imprensa na qual afirma que "O Colégio Estadual Odorico Tavares fechou por intervenção sistemática do governo. O que aparenta, para nós, é que foi adotada a mesma tática da prefeitura de Salvador quando tirou as linhas de ônibus de bairros periféricos para impedir que a população mais carente não pudesse curtir a praia ou os espaços culturais em bairros nobres e assim o senhor faz com o discurso fisiológico cerceando o livre direito da juventude de estudar e circular nestes mesmo bairros". O Odorico Tavares localiza-se em uma das regiões com imóveis mais caros na capital.

Os estudantes alegam ainda que não convence a desculpa do governo de que investirá em outras escolas porque a condição precária de muitas delas indica o contrário."Basta uma chuva forte e os estudantes saem nadando de suas salas de aula de tantas goteiras e cachoeiras. Basta querer praticar esportes que notamos a falta de materiais esportivos, o desestímulo que passam os professores de educação física por não terem as condições mínimas, seja pela falta de material ou por que as quadras (quando existem) estão cheias de buracos, sem marcação ou sem os equipamentos necessários de cada modalidade. Os laboratórios, muitos servem apenas de depósito para traças, tranqueiras velhas", acusa o texto.


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