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Estudantes que ocuparam Odorico Tavares prometem novas ações

As entidades do movimento estudantil que protestam contra o fechamento do colégio Odorico Tavares, no Corredor da Vitória, afirmam que farão novas manifestações.

Foi anunciada reunião na semana que vem, onde uma das pautas é o pedido de demissão do secretário Jerônimo Rodrigues, da Educação, a quem acusam de ter "utilizado aparato policial para intimidar e reprimir os estudantes".

O grupo alega que não houve negociação alguma e que só deixou a escola por medo da PM, que desocupou o espaço durante a madrugada, quebrando cadeados que isolavam a parte interna e desligando água e luz.

Leia abaixo a íntegra da nota distribuída à imprensa.

O FECHADOR DE ESCOLAS!

NOTA DAS ENTIDADES QUE OCUPARAM O COLÉGIO ESTADUAL ODORICO TAVARES

De conhecimento de toda a Sociedade, na tarde desta última terça-feira (21/01) estudantes e militantes da Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador – AGES, da União Estadual dos Estudantes – UEES Bahia e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES, às 14:30h deram início ao processo de ocupação do prédio do Colégio Estadual Odorico Tavares, no Corredor da Vitoria em Salvador – Bahia, com a intenção de manifestação contraria ao fechamento da unidade de ensino e, por conseguinte, a venda de seu terreno para a especulação imobiliária.

Após a ocupação, foi divulgada uma carta aberta a sociedade emitindo a opinião dos estudantes que aquele espaço ocupavam. Contrários a lógica do Governo do Estado da Bahia e da Secretaria da Educação, que no último período adotou como PRINCÍPIO de que "escola boa é Militar ou Privatizada" e, quando nenhuma dessas duas opções são possíveis, gera custo e precisa ser fechada. Foi justamente o que aconteceu com o C.E. Odorico Tavares.

Situado em um dos metros quadrados mais caros da cidade de Salvador, o Corredor da Vitória, seu terreno vale milhões, e aí pode estar, pelo menos no caso do Odorico, a verdadeira intenção da SABOTAGEM que a instituição sofre desde o ano de 2012, quando seus turnos de aulas começaram a ser fechados e as matrículas de novos estudantes a serem controladas, o que sustentou diversas movimentações do governo como justificativa para fechar o colégio, sobre o argumento da baixa demanda.

A ocupação se deu, por princípios e ordeira, com o propósito de abrir o canal de negociação, que por se tratar de um importante patrimônio público, os estudantes e a sociedade não tiveram a oportunidade de debater o futuro do colégio, nem se quer a destinação de seu espaço. A decisão foi AUTORITÁRIA e ARBITRÁRIA.

Arbitrária e VIOLENTA, também, foi a resposta do Secretário da Educação, Jeronimo Rodrigues, representante do Governador Rui Costa que, ao invés de instalar uma mesa de negociação com os estudantes ocupantes, mandou a POLÍCIA de todas as patentes e de todos os batalhões REPRIMIR e retirar a força os estudantes da ocupação. Estouraram os cadeados e as correntes, carregaram armas de bala de borracha, preparam bombas de gás, chegando até mandar o BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais – fora das lentes da imprensa, pela portaria de acesso do Odorico no Vale do Canela.

A mobilização da polícia para o Odorico foi espantosa, para nós que militamos no movimento estudantil, tal quantidade de policiais só é vista em grandes manifestações ou até nas megaoperações da corporação. Tudo isso para, como afirmou o Secretário Jeronimo ao vivo na TV Bahia (22/01) no jornal do meio dia, “Dialogar Presencialmente com os Estudantes” que invadiram um prédio público e que poderiam além de depreda-lo, o secretário insinuou a possibilidade de furtos dos eletrônicos e documentos.

A ocupação se deu durante toda a tarde e noite, que se não fosse graças a presença da imprensa, de advogados(as) dos núcleos de Direitos Humanos da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil / BA – e o apoio das pessoas que chegavam a todo instante, o pior do que já estava poderia ter acontecido. Cortaram a luz e a água do prédio, os banheiros foram trancados, e o cordão de isolamento feito pala PM na portaria do Corredor da Vitória, que tinha a determinação de não permitir a entrada de água e nenhum tipo de alimento para os estudantes ocupantes, acabou provocando a solidariedade de moradores vizinhos ao colégio que, ao verem a notícias nos jornais acerca da situação, começaram a jogar garrafas d'água, lanches, cobertores e papéis com mensagens de apoio.

Presenciamos de tudo, da truculência do estado ao reprimir os estudantes com todas as forças policias, a solidariedade dos vizinhos e acompanhantes que se aglomeravam à porta do Colégio, só não vimos o Secretário Jeronimo Rodrigues para dialogar, mesmo quando anunciamos que uma comissão já estava pronta para dar início a este trato o secretario e o governo se mostrou que a sua única forma de diálogo era de cada vez mais mandar mais polícias.

Por volta das 1:30 da madrugada, após uma base policial ser instalada na porta do colégio, mais de 10 viaturas da RONDESP e com a confirmação de que os polícias conseguiram furar o bloqueio feito nos andares de acesso da entrada do colégio, no Vale do Canela, os estudantes que ocuparam, temendo o pior, e para garantir a integridade física de todos que ali estavam, decidiram encerrar a ocupação, evitando assim o enfrentamento e o terror de mais sangue preto e jovem derramado.

Não saímos derrotados, muito pelo contrário, conquistamos uma VITÓRIA PONTUAL. Graças aos bravos estudantes que se organizaram para esta ocupação, suas entidades de representação e principalmente a presença da imprensa, conseguimos chamar a atenção de toda a sociedade baiana e brasileira para o que está acontecendo com a educação de nosso país, estado e município, pois um governo que fecha escolas, encerra sonhos, frustra a sociedade, ABRE CADEIAS!

Não estamos interessados nos milhões que valem o terreno, ali poderia funcionar um colégio de ensino médio, um centro de formação técnico e profissionalizante, uma universidade pública, mas não um empreendimento. Reprimir o direito da juventude de estudar onde ela quiser, de frequentar instituições de ensino público em bairros nobres, não deve ser a prática de nenhum governo que busca diminuir as desigualdades, sobretudo as étnicas-raciais e econômica-social.

Diante de toda esta situação que testemunhamos em nosso estado, a AGES, a UEES e a UBES manifestam de forma veemente REPÚDIO a atitude do Governo do Estado da Bahia, a falta de habilidade do Secretário da Educação, Jerônimo Rodrigues, que se utilizou do aparato policial para intimidar e reprimir os estudantes, métodos de diálogos derrotados em governos que o antecederam. Ainda assim, reafirmamos o nosso compromisso pela luta da educação pública e de qualidade, anunciamos também, que vamos convocar os estudantes, professores, funcionários e toda a sociedade para enfrentar DIARIAMENTE este modelo sectário de desmonte da educação do estado da Bahia, a qual voltamos a presenciar, após 12 anos, cenas tristes de pessoas dormindo em filas para garantir a matrícula de seus filhos na rede estadual de ensino, culpa do fechamento de escolas ou até mesmo da incapacidade de gestão da atual administração da Secretaria da Educação.

As direções das entidades que escrevem esta nota estão preparando um calendário de intensas mobilizações. Uma plenária de organização dos estudantes está sendo convocada para a semana que vem, a qual prepararemos a resistência pela educação, pedindo a saída de Jeronimo Rodrigues da Secretaria da Educação. A fim de preparar os estudantes para o retorno das aulas, onde já anunciamos que absolutamente nada que dificulte o dia a dia dos estudantes será mais tolerado, um fio descascado, uma sala sem ventiladores, escola sem professores, merenda, fardamento ou com problemas na infraestrutura, serão denunciados com intensas manifestações diárias nas ruas, novas ocupações e por todos os meios de comunicação possíveis.

Aproveitamos a oportunidade para nos solidarizar e reforçar a resistência dos estudantes do Colégio Estadual Maria José de Lima Silveira, em Jequié, que há 13 dias se mantém firmes e fortes na luta, ocupando o colégio contra o seu fechamento!

Não espere nada a mais de nós, que muita resistência e luta!

Saudações Estudantis.

AGES / UEES / UBES

Salvador, Bahia – 22 de Janeiro de 2020

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