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Outra chapa de oposição na UEFS quer parcerias com setor privado

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Rejeitando o rótulo de direita, como sugeriu a outra chapa opositora na entrevista ao SALA DE NOTÍCIA (link acima), os professores Koji de Jesus Nagahama (candidato a reitor) e Telma Cristina Silva Teixeira (vice), propõem muitas mudanças no modo de administrar a universidade, que escolhe sua direção em votação nos dias 1, 2 e 3 de abril.

Além de parcerias externas, com o setor público e privado, que venham incrementar o orçamento, os professores criticam a falta de transparência que identificam na atual gestão, do professor Evandro do Nascimento e avaliam que os recursos poderiam ser melhor empregados.

Koji está no segundo mandato como diretor do departamento de tecnologia e Telma já foi professora nos cursos de Ciências Econômicas e Administração.

A dupla respondeu em conjunto e por escrito as perguntas formuladas pelo blog.

No material de divulgação da chapa, vocês falam em "apatia generalizada da gestão" e "quadro caótico vivido atualmente" na UEFS. Pode dar exemplos?

Sobre o quadro caótico vivido atualmente na UEFS, temos um exemplo claro: a recente matrícula dos estudantes de graduação. Como é possível que um sistema acadêmico usado há mais de uma década resolva, de uma hora para outra, matricular estudantes em disciplinas erradas ou não efetivar as escolhas dos estudantes? Hoje, a matrícula Web demora mais tempo que a matrícula presencial que era realizada há vinte anos.

A apatia da gestão pode ser exemplificada pela questão dos animais no campus, que foi solenemente ignorada até que o Ministério Público fosse acionado por um grupo de estudantes engenhoso e corajoso. Isso levou a UEFS a assinar um Termo de Ajuste de Conduta. E, mesmo com este Termo, continuamos com graves problemas, a exemplos dos filhotes que adoecem por falta de cuidados adequados, ao receber ração para animais adultos.

A outra chapa de oposição se coloca como "progressista", em contraposição a vocês, que seriam de direita. Vocês se reconhecem assim ou rejeitam a classificação?

A declaração do outro candidato de oposição de nos classificar como direita nos surpreende, porque ele foi coordenador da chapa da professora Eneida Marcílio Cerqueira, classificada por ele [na entrevista ao Sala de Notícia] como progressista. Nesta mesma chapa, a professora Telma era a candidata a vice, como hoje é também candidata a vice na nossa chapa. O candidato que faz esta classificação trabalhou em cargos de confiança na gestão do professor Onofre, classificado por ele como direita, e, há alguns meses, fazia parte da gestão atual do grupo Mais UEFS, classificada, também por ele, como de esquerda. Ou seja, a trajetória do próprio deixa indefinida a sua autoclassificação. Então, não é possível levar muito a sério sua análise política. De qualquer forma, esta polarização direita-esquerda não é positiva para a gestão universitária. Lutamos por soluções além dos rótulos, além das siglas partidárias. Entendemos a Universidade como um espaço de luta pela garantia dos princípios constitucionais e democráticos, espaço que deve ser crítico e plural, cujas decisões possam ser conduzidas com respeito ao contraditório. Desta forma, convido todos e todas a lerem nosso programa de gestão e observarem que somos um grupo que defende a universidade pública, gratuita e de qualidade. Somos a favor das políticas sociais e de permanência e estamos lutando por melhores condições de trabalho para que estudantes, terceirizados, docentes, técnicos e analistas se sintam acolhidos, valorizados e estimulados, sem negar a necessidade de integrar a UEFS com a sociedade, buscando parcerias, recursos para financiamento de atividades, combinando a solução de problemas com a profissionalização dos nossos estudantes. Dessa forma, será possível não apenas uma formação, mas também a abertura de portas para acesso ao mercado de trabalho.

Vocês pregam a "transparência ampla sobre a organização, gastos, funcionamento e procedimentos". As informações hoje são sonegadas pela direção da universidade?

Quando falamos em transparência ampla nos referimos a dois aspectos: a legislação sobre transparência e a necessidade de transparência interna. Há hoje duas Leis para nortear as administrações públicas quanto às suas prestações de contas à população. A Lei da Transparência (LC 131/2009) que foi criada para divulgar receita e despesas de toda entidade pública em site na Internet, e a Lei nº 12.527/2011 que regulamenta o direito constitucional de acesso às informações públicas, para o recebimento de informações dos órgãos e entidades. A transparência coloca a administração sob uma espécie de auditoria permanente.

Mas qualquer cidadão que visite o site da UEFS não vai encontrar nos links relacionados à transparência esse necessário detalhamento. A comunidade universitária e sociedade feirense necessitam de informações precisas quanto à situação da UEFS. E é esta transparência que trará o apoio da sociedade para estudantes, docentes, técnicos e analistas quando precisarmos fazer nossas reivindicações e conclamarmos a sociedade a nos ajudar.

Vocês mencionam na proposta parcerias com setor privado e governos, apoio ao empreendedorismo e incentivo ao registro de propriedade intelectual pela comunidade da UEFS. Muitos nas universidades públicas condenam essa visão como algo que induz à privatização do ensino. O que acham dessa crítica?

O tema das parcerias com setor privado e governos é bastante controverso mesmo. No entanto, as universidades públicas brasileiras já começam a avançar neste terreno por enxergarem nesta possibilidade uma forma eficiente de proteger as universidades públicas dos cortes orçamentários. A Unicamp, eleita melhor universidade da América Latina pela Times Higher Education, mantém parcerias com empresas privadas para seus laboratórios, centros de pesquisa e licenciamento de tecnologias e paralelamente mantém políticas de acesso e permanência, com ensino público gratuito e de qualidade. Em 2016, por exemplo, a universidade firmou parcerias com empresas como Samsung, IBM, Ericsson, Motorola e Ambev. A Universidade de Brasília, sem perder seu caráter público, em 2012 colocou a instituição nessa direção e o argumento foi exatamente que as universidades públicas precisam diversificar as fontes de receita para pesquisas porque, em períodos de crises econômicas, o que primeiro para nas universidades são as pesquisas. Os estudantes e pesquisadores são os maiores beneficiados com a melhora da estrutura física, laboratórios e equipamentos de pesquisa, além da melhoria da universidade em rankings de qualidade de ensino. Se esta parceria pode ferir a integridade pública e gratuita da Universidade, é uma questão mais eleitoreira do que outra coisa. Essa preocupação não deveria existir.

Primeiro, a universidade tem também como papel a interação com a sociedade, e nesse sentido precisa apresentar respostas às suas necessidades, transferindo o conhecimento científico e tecnológico para a melhoria da qualidade de vida da população, e para auxiliar o setor produtivo no aumento do seu desempenho. Atender à demanda da sociedade e do setor produtivo, transferir tecnologias, desenvolver ações e políticas para a sociedade, são também ações necessárias do fazer universitário.

Segundo, os pesquisadores escolherão as parcerias mais adequadas aos seus trabalhos científicos, com completa autonomia para analisar se a parceria vai auxiliar o andamento de suas atividades.

Parceria com outras instituições, que podem ser públicas ou privadas, não exclui o Estado como principal mantenedor da UEFS.

Sua proposta inclui melhorias nas salas de aula, equipamentos, laboratórios e até alguma autonomia administrativa nos departamentos. São mudanças que implicam em gastos. Como fazer, se a universidade é deficitária?

A proposta foi construída por um coletivo que conta com a participação de estudantes, docentes, técnicos, analistas e terceirizados. Quando há déficit, os cuidados com a gestão devem ser ainda maiores. A falta de transparência relacionada aos recursos orçamentários impede o planejamento e uso adequado de todos os recursos disponíveis. E, para além dos recursos do Tesouro Estadual, nossa proposta de parcerias permitirá, no médio prazo, a disponibilidade de recursos adicionais, inclusive recursos não vinculados ao orçamento atual, abrindo espaço para as melhorias mencionadas.

Segurança se tornou uma questão importante nos últimos anos na UEFS. Mas a entrada da PM continua proibida. Vocês pensam em acabar com esse veto?

A segurança é uma preocupação de âmbito público, não exclusiva à Universidade e por isso é ilusão imaginar que policiamento ostensivo seja a solução de todos os problemas de segurança da UEFS. Depende de múltiplos fatores. Ações em diferentes áreas precisam ser tomadas para lidar com estes problemas. Nosso Programa de Gestão envolve expansão das áreas de convivência, lazer e esportes em todos os turnos de funcionamento; iluminação adequada, inteligente e sustentável; política de segurança construída colaborativamente com a comunidade universitária; a parceria com o poder público em ações de educação e combate à violência; e a garantia da combinação justa e adequada de pessoal, infraestrutura e equipamentos para segurança do pessoal e patrimonial.

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