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Nova chapa de esquerda desafia Mais Uefs na próxima eleição para reitoria

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O grupo Mais Uefs, vencedor de três eleições seguidas na UEFS, vai enfrentar oposição "por dentro", no processo deste ano. Haverá naturalmente uma candidatura de direita, mas a própria ala da esquerda, ou progressista, como alguns preferem, está dividida. Insatisfeitos com a gestão de Evandro Nascimento têm como alternativa a chapa encabeçada por Dagoberto da Silva Freitas, professor de Física, com Lílian Wanderley, de Psicologia, como vice.

O candidato a reitor deu entrevista por escrito ao Sala de Notícia, que divido por tópicos a seguir:

GESTÃO ATUAL ISOLA A UEFS

A contestação que fazemos ao posicionamento da atual gestão não é em relação ao campo ideológico. De uma forma geral, estamos todos no campo do que se chama de esquerda ou em uma forma mais moderna de progressistas. A nossa crítica está no pensamento estreito que a atual gestão tem em relação à universidade e à interação dessa universidade com a sociedade, pensamento esse que dificulta a construção de diálogos não só com o governo do estado, mas também com toda a sociedade. A UEFS, na contramão das universidades brasileiras, tem reduzido as suas parcerias e, dessa forma, tem inviabilizado o seu próprio funcionamento. Por este motivo, sim, nós nos opomos à atual gestão.

MAIS UEFS NÃO EXISTE

É necessário desmitificar a falsa ideia de que existe, atuando na UEFS de forma orgânica, um grupo denominado MAIS UEFS. Na verdade, esse grupo não existe e o que existe é uma gestão na Reitoria da UEFS que se autodenomina por esse nome.

Da mesma forma que as pessoas que estão na atual gestão da Reitoria se colocam no campo progressista, vários outros professores, funcionários e estudantes se colocam nesse campo também. Se olharmos para os últimos doze anos, vamos enxergar uma polarização no processo de eleição entre a direita e a esquerda com feições quase que partidárias.

Mas, se voltarmos mais para trás, enxergaremos um processo eleitoral muito mais amplo, trazendo para o debate eleitoral um projeto de universidade.

DIVISÃO DA ESQUERDA FAVORECE A DIREITA?

Na eleição de 2003, três chapas participaram do processo eleitoral, tendo como candidato eleito o professor Onofre Gurjão (2003-2007). As outras duas chapas eram encabeçadas pelos professores José Carlos Barreto e Eneida Marcílio de Cerqueira, ambos no campo progressista. Hoje, na UEFS, vivemos exatamente esse contexto, há três chapas concorrendo à eleição, em que duas estão no campo progressista e uma no campo da direita.

No entanto, não há um crescimento dos grupos de direita dentro da UEFS. De uma forma geral, a comunidade universitária é de centro ou progressista e a sua rejeição à gestão Mais UEFS não é pelo alinhamento ideológico e sim por sua visão limitada do fazer universitário em todas as suas dimensões e pela falta de capacidade de gestão nos últimos anos.

É CHAPA BRANCA?

A articulação e os diálogos necessários devem se dar de forma autônoma e respeitosa, transparente e republicana, em defesa de tais princípios e valores institucionais.

O reitor tem um papel institucional de fazer a gestão administrativa e as políticas acadêmicas da universidade, articulando-se com a sociedade como um todo, incluindo entidades do poder público, políticos, empresas e movimentos sociais, de forma a viabilizar os objetivos institucionais. Ao mesmo tempo, cabe ao reitor o papel de defensor da universidade e da sua autonomia. É nesse papel que nos colocamos.

ESTADO TRAVA AUTONOMIA

O governo do estado também nos limita. A legislação atual restringe a capacidade da universidade atuar na inovação tecnológica, por exemplo, o que não é concebível para uma universidade moderna.

Para que a UEFS e as outras universidades estaduais possam atuar de forma plena na inovação tecnológica, é necessário que o governo aprove o Marco Legal de Inovação Tecnológica que foi formatado pela SECTI e a PGE no ano passado. Uma proposta discutida amplamente com as universidades e empresas de inovação. Não há justificativas para que o governo não encaminhe uma Lei criada por ele mesmo para aprovação na ALBA.

PROPOSTAS

A chapa, que já está inscrita, é formada por mim e pela professora Lílian Wanderley que é muito atuante na UEFS, tendo sido coordenadora dos cursos de Pedagogia e Psicologia, e vai com certeza agregar muito a uma futura gestão.

Nossas propostas foram construídas a partir de diálogos e discussões com a comunidade universitária, e, ressalto aqui, toda a comunidade e não recortes dela, em um processo que vem sendo construído há mais de um ano e não na véspera da eleição. Por isso, são representativas.

As principais propostas são:

- Fortalecimento das Atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, melhorando as condições de trabalho e de oferta dos cursos e das atividades;

- Criar políticas para manutenção dos Museus e Espaços Culturais e de Difusão do Conhecimento da UEFS, permitindo seu pleno funcionamento de forma a atender mais e melhor a sociedade feirense;

- Fortalecer as Políticas de Ações Afirmativas e Inclusão, melhorando sua gestão de forma a permitir sua ampliação e qualificação;

- Melhoria nas condições de trabalho docente e administrativos;

- Implementar uma política de valorização dos Servidores Técnicos;

- Criar espaços de convivência e restaurantes para atendimento à comunidade universitária em geral;

- Desenvolver de forma preventiva ações de manutenção da infraestrutura instalada;

- Descentralização de Gestão e Fortalecimento da Administração Adstrita (Departamentos e Colegiados);

- Funcionamento de espaços administrativos para atendimento no turno noturno;

- Implementar uma política de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo;

- Promover parcerias com setores públicos, setores econômicos e organizações sociais, permitindo que a UEFS seja agente de transformação da realidade local e regional;

- Implementar um projeto da UEFS aberta à comunidade, utilizando os espaços do campus para lazer, esporte, cultura e arte;

- Implementar uma Política de Segurança no Campus

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