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Sérgio Moro aceita convite de Bolsonaro para ser ministro da Justiça


Depois de deixar a casa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, o juiz Sérgio Moro divulgou nota, datada e assinada como sendo de Curitiba (leia no final do texto), para dizer que aceitou o convite para ser ministro da Justiça, por entender que poderá no novo cargo, "consolidar os avanços contra o crime e a corrupção".

Com a decisão, Moro deixa de ser juiz e de imediato se afasta da Lava Jato. Ele tinha uma audiência marcada com o presidente Lula para o próximo dia 14, referente ao inquérito do sítio de Atibaia, que a investigação atribui a Lula, como beneficiário de propina de empreiteiras, mas que está em nome de terceiros.

Na gestão Bolsonaro o Ministério da Justiça deve ter o poder ampliado, incorporando a Segurança Pública, a Controladoria-Geral da União e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que rastreia operações financeiras consideradas suspeitas e que atualmente é parte da estrutura do Ministério da Fazenda.

Moro não deu entrevistas ao sair da casa de Bolsonaro, que também divulgou a decisão através do Twitter.

ÍNTEGRA DA NOTA DE SÉRGIO MORO

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura.

No entanto, a pespectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior.

A Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 01 de novembro de 2018.

Sergio Fernando Moro

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