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Ciro vai bem na entrevista do Jornal Nacional


Tirando a defesa apaixonada de Carlos Lupi, em quem disse ter confiança cega, mas que no imaginário dos poucos que têm noção de quem é Lupi, está no time dos indefensáveis, o candidato Ciro Gomes deu uma entrevista convincente no Jornal Nacional, abrindo a série com os presidenciáveis (série que não terá o PT, que insiste em manter candidato um preso e priva o substituto de fazer-se conhecido).

As entrevistas do JN são tensas, porque parece que os apresentadores tentam matar a abstinência dos quatro anos em que deveriam estar pressionando autoridades, ao vivo, no estúdio, do mesmo jeito que fazem com os candidatos. Por que não uma entrevista assim com os interventores da segurança no Rio? Ou com Jungman sobre o esclarecimento do assassinato de Marilene+motorista? Ou com o ministro da Saúde sobre a baixa cobertura da vacinação? Ou com o ministro dos transportes sobre as condições das estradas?

Voltando ao Ciro. Controlou os nervos, mesmo quando pedia tempo (o mínimo necessário) para concluir o raciocínio. Não se irritou com as provocações e ainda tirou proveito delas.

Ele deve adorar quando criticam - tolamente - sua proposta de limpar o nome do brasileiro do SPC. Bonner o questionou por apresentar a bandeira de forma muito simplificada. Ora, não é justamente isso que ele tem que fazer? Ele e qualquer candidato? Tem mais é que falar uma linguagem clara, que as pessoas entendam, mesmo quando abordar questões complexas. Disputa-se o voto do povo, não de acadêmicos ou especialistas. Aliás Ciro vinha pecando por ser excessivamente professoral, querendo demonstrar vasto conhecimento, o que apenas resultava em abordagens muito amplas que tornavam obscura qual era afinal a proposta para resolução do problema. Na bancada do telejornal de maior audiência no país evitou este erro. Pra não deixar 100% de lado o Ciro de sempre, citou Montesquieu e só.

Voltando de novo: Perto de um terço da população do país está no SPC. Tirando-se velhos e crianças dessa conta, sobra pouca gente em idade economicamente ativa. É uma calamidade. A campanha do pedetista de fato tocou em um ponto sensível ao eleitorado.

A insistência de Bonner em apontar um engano na apresentação da ideia ao eleitor por parte de Ciro só fez ajudá-lo a reforçar a promessa nos mesmos termos: "Eu vou tirar o nome do povo brasileiro do SPC mesmo", acrescentando a importante lembrança de que o governo federal acabou de perdoar dívidas bilionárias dos mais ricos no Refis.

A ânsia de Bonner e Renata Vasconcelos por mostrar que havia complexidade no assunto - claro que há - ainda permitiu ao entrevistado apontar a existência de um manual, passando a impressão de que a coisa é estudada, não uma promessa aleatória. E mostrou o livrinho. Ao que os entrevistadores responderam com algo como "ah, tá vendo?" como se tivessem provado seu ponto.

O candidato tanto estava esperto que aproveitou para se promover com uma frase de efeito quando Renata fez um comentário fora do padrão das entrevistas paredão. Ela disse que entra governo sai governo e a federalização do combate ao crime não acontece. Não era uma pergunta. Era uma frase que ficaria no ar se Ciro não tivesse a presença de espírito de aproveitá-la em benefício próprio: "É que eu nunca fui presidente. Você vai ver comigo".

Pouquíssimos políticos brasileiros podem gabar-se de coerência na trajetória política ou nas alianças do momento. Se a política embute guinadas ideológicas em nome do pragmatismo mesmo nos países com democracias em estágio mais evoluído, que dizer do Brasil? Ciro mesmo é dos mais heterodoxos neste sentido. O PDT é o sétimo partido em sua trajetória política.

Mas quando confrontado com suposta incoerência ou incompatibilidade da aliança com Kátia Abreu como vice (que afinal está hoje no mesmo partido), deu resposta simples e clara. "A Kátia Abreu vem pra cá não porque é igual a mim. É porque é diferente". Embora tenha estendido um pouco mais, a frase sozinha já responde tudo e exemplifica a clareza exibida ao longo de quase meia hora de entrevista. Clareza que vinha lhe fazendo falta em outros momentos da campanha.

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