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2018 pode marcar o fim do marketing eleitoral como o conhecemos hoje


Horário eleitoral importa ou não importa? Sempre importou, mas hoje tem um monte de gente achando que com o aumento da influência da internet a campanha em rádio e TV pode ser considerada desprezível.

A eleição deste ano dará uma resposta, porque é imensa a disparidade entre os candidatos no chamado horário eleitoral.

Se Bolsonaro não conseguir chegar no segundo turno, se Alckmin permanecer estagnado, se Ciro ou Marina conseguirem ir ao segundo turno, poderemos dizer com certeza que o tempo em rádio e TV perdeu mesmo o valor.

Isto porque o tempo disponível para cada um destes citados é imensamente desigual. O site Poder 360 publicou uma tabela com as estimativas de quanto caberá aos 13 candidatos. Ainda não é oficial do TSE, mas feita com base na lei, de modo que se houver alteração será mínima.

Alckmin tem um tempo muito maior que os demais. É uma disparidade gigantesca. Serão 11 minutos por dia divididos em dois blocos. Ao mesmo tempo, até aqui é um candidato que costuma aparecer em quinto lugar nas pesquisas, e que nunca chegou sequer a 10%, concorrendo por um partido que carrega imensa rejeição.

O segundo tempo é do PT (quase 5 minutos), que com Lula vence e com um substituto de última hora tem grande probabilidade de ir ao segundo turno.

Meirelles tem quase o mesmo tempo e não alcança um por cento nas pesquisas. Ninguém acredita que ele vá a qualquer lugar, mesmo com este espaço generoso se comparado aos demais.

No bloco dos candidatos com tempo irrisório há três entre os mais competitivos. Ciro, Marina e Bolsonaro, sendo este último o melhor colocado dos três, sempre muito à frente nas pesquisas. Eles têm respectivamente 40 segundos, 23 segundos e impensáveis 6 segundos.

Restam ainda entre os candidatos com maior visibilidade porque comparecem a entrevistas e debates, o cabo Daciolo e o militante dos sem teto Guilherme Boulos (além do apagado Álvaro Dias com 40 segundos). O cabo alucinado tem mais tempo que Bolsonaro (9 segundos) e o candidato do Psol 14 segundos. De modo que um desempenho razoável de qualquer um deles jamais poderá ser creditado ao horário eleitoral.

Eymael, João Goulart Filho e Vera Lúcia praticamente não existem, porque não têm direito sequer a vaga compulsória em entrevistas e debates e terão entre 6 e 9 segundos.

Porém mesmo neste grupo de candidatos quase alijados do processo ainda há o João Amoedo, que integra um movimento liberal, que fundou um partido e atua com força na internet, de maneira que consegue ser razoavelmente conhecido. Seu resultado no dia da apuração poderá também dizer muito sobre o peso das novas mídias nas eleições.

A eleição deste ano portanto pode ser um marco de uma nova forma de fazer campanha. Não em termos éticos, mas em termos técnicos.

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