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Caminhoneiros expulsam equipe da TV Subaé e pedem ditadura


Uma equipe de reportagem da TV Subaé foi impedida de gravar e expulsa hoje pelos caminhoneiros parados desde segunda-feira em protesto contra o preço dos combustíveis.

Os membros do movimento não deixaram os jornalistas trabalhar e disseram que não queriam ouvir argumentos, por se tratar de profissionais a serviço da Rede Globo, empresa que recebeu uma série de xingamentos.

Falaram em respeitar a equipe, dizendo que ninguém seria agredido por serem apenas trabalhadores mas mesmo assim no final um deles já gritava em tom de ameaça. "Vão-se embora antes que a revolta seja maior".

No vídeo gravado com celular é possível ver o cinegrafista Leonel Oliveira e a repórter Poliana Rodrigues tentando conversar, mas foi em vão. "A gente veio mostrar o protesto de vocês. Vocês não querem!", afirmou Leonel, ouvindo de volta que não adiantava argumentar.

Poliana, já dentro do carro da equipe ainda tentou dizer alguma coisa, e teve que ouvir como resposta: "Minha querida, o problema não é você, é o que sua TV representa. Infelizmente a TV que você trabalha não representa a gente". Os três (a equipe era composta também pelo radialista Paulo Silva) entraram no veículo da reportagem e foram embora.

"A Rede Globo tá maquiando, falando o que quer", gritou alguém no grupo que se colocou contra a reportagem.

A edição da noite de quinta-feira do Jornal Nacional teve um viés crítico à greve que ficou claro já na abertura lida em revezamento por William Bonner e Renata Vasconcelos. "Caminhoneiros protestam contra um problema real: a alta vertiginosa do óleo diesel. Mas um país inteiro fica refém de uma greve. Trabalhadores ficam sem ônibus por falta de combustível. Quem tem carro enfrenta filas quilométricas nos postos. O colapso na distribuição provoca falta de produtos e de alimentos no comércio. E medicamentos somem das prateleiras de farmácias e até oxigênio hospitalar está sem transporte".

Um tom que certamente contrariou os manifestantes que exigem que o governo abaixe o preço do combustível.

Outro motivo de queixa dos caminhoneiros Brasil afora foi o fato da imprensa ter noticiado um acordo que eles dizem que a categoria não reconhece, por desconsiderar os que se apresentaram como representantes do movimento.

CAMINHONEIROS PRÓ-DITADURA

Em outro momento, vídeo também de celular mostra caminhoneiros em Feira de Santana disputando adesivos que pregam intervenção militar no país.

Uma enorme incoerência, para quem está protestando, fazendo greve, desafiando o governo e gerando grave instabilidade. Se a ditadura que pedem viesse a ser implantada, não poderiam fazer nada disso. Muitos seriam presos e provavelmente alguns mortos pelo governo "interventor".

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