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  • Fonte: Correio

Kátia Vargas absolvida pelo júri popular pela morte de dois irmãos


Dois dias após o início do julgamento pela morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes, a médica Kátia Vargas foi absolvida nesta quarta-feira (6). A decisão, do júri popular, foi de 4 votos a favor da absolvição e um contrário. O acidente aconteceu no dia 11 de outubro de 2013, no bairro de Ondina, em Salvador.

O advogado da defesa de Kátia Vargas, José Luis de Oliveira Lima, comemorou o resultado do julgamento.

“Eu pedi pela justiça. É lógico que eu saio satisfeito com o resultado”, disse o advogado da médica, ao deixar fórum.

Sobre a intenção da acusação de recorrer da decisão, comentou: “Faz parte do debate jurídico. Respeito a decisão do Ministério Público, mas o que cabe aqui é que, nesse momento, Kátia foi absolvida pelo plenário do Tribunal do Júri”.

Daniel Keller, advogado assistente da acusação, criticou a decisão dos jurados, e falou também que o processo ainda não acabou.

"Como eu disse no momento em que cheguei ao júri, hoje, independente do resultado, cabe recurso de ambas as partes. Nesse caso, houve uma condenação apenas por um voto, ou seja, uma votação apertada e cabe recurso. Estamos apenas na primeira instância. Nós vamos apelar ao Tribunal de Justiça contra essa decisão e, a depender do caso, pode ser que o tribunal anule esse júri”, afirmou.

Batalha perdida - Ao reforçar a decisão de recorrer do júri, Keller comparou o processo a uma guerra. "Vamos apelar e pedir a reforma dessa decisão. Ainda cabe recurso ao tribunal, ao STJ e ao STF. A família vê isso como uma espécie de guerra. Isso foi só uma batalha. Nós vínhamos vencendo todas as batalhas até aqui. Foi uma luta de quatro anos para chegar até aqui. Tivemos o revés, tivemos uma derrota, perdemos uma batalha, mas a guerra ainda não acabou", comentou.

A repercussão do caso continua na saída do Fórum. "Ela vai dormir sabendo que tirou a vida de dois irmãos. Ela nunca vai ter paz", diz Vanessa Lima, amiga da família de Emanuel e Emanuelle.

Daniel Keller, advogado assistente de acusação, comenta decisão dos jurados: "O jurado não precisa dizer a razão pela qual ele condena ou absolve. Os jurados entenderam que ela não bateu na moto, que não houve impacto. Ela não foi condenada por homicídio culposo, não houve o entendimento de que ela não tinha intenção de matar. Não. A decisão foi no sentido de que não houve impacto, de que a moto caiu sozinha. Foi assim que o júri entendeu. Por que? Não sei. Não sei o que se passou na cabeça dos jurados."

Estudantes de Direito que acompanharam julgamento comentam veredicto:

"Eu assisti os dois dias do júri e assisti todas as testemunhas. Acredito que Kátia Vargas não seja a pior pessoa no mundo, mas ela não podia sair ilesa disso porque dá para ver claramente nos vídeos, nos depoimentos, em todos os lugares, que não foi um acidente. Não foi uma coisa que aconteceu por acaso. Ela foi atrás deles, então ela causou - mesmo que ela não tivesse o objetivo - a morte deles. Tinha que ter sido no mínimo um homicídio culposo. Ela causou o acidente que matou eles, então no mínimo isso." (Caroline Simões)

"Foi mais um momento que desanimou a gente de continuar lutando para o nosso país. A gente vê que o que o que estamos estudando não é respeitado pelos profissionais da área. Acho que deveria ser pelo menos um homicídio culposo. Qualquer pena deveria ter sido dada pelo menos para ela não sair impune." (Maria Clara Teixeira)

Demitila Santos, advogada que acompanhou o júri diz que a defesa fez um trabalho brilhante. "Se ateve aos atos, aos fatos que tavam nos autos e fizeram um trabalho técnico perfeito. Me decpcionaram o Ministério Público, me decepcionou o advogado Daniel Keller. Achei infantil a atitude deles de berrar, de gritar... Faltou técnica, faltou ser advogado naquele momento. E que justiça é essa? A gente passou dois dias acompanhando o caso e a gente soube pela mídia o resultado. Antes de ser proferida a sentença, a mídia já sabia o resultado, inclusive com números. Que justiça é essa? Estou falando da seriedade da nossa justiça. Pelo que vi ali, concordo plenamente com o resultado", comentou.

"Indignação, porque quatro pessoas sem compromisso com a justiça sentaram ali pré-determinadas a absolver uma pessoa que cometeu um crime bárbaro. Ou seja, elas votaram em uma coisa que nem a defesa pediu, elas negaram. Ou seja, é como se dissessem que aqueles dois jovens tivessem se matado, que ela não estava ali. Absurdo. Eu hoje como baiano me sinto envergonhado com quatro pessoas irresponsáveis e sem compromisso nenhum com a justiça. A justiça nesse país é para negro e para pobre", declarou o promotor Davi Gallo.

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