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  • Glauco Wanderley

Juros do cartão caem para 290% neste mês e ficam abaixo do cheque especial


Em novembro, os juros do rotativo do cartão de crédito já estão bem mais baixos que os de outubro, de 337,9% ao ano ou 13% ao mês, anunciados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira.

Considerando as taxas cobradas no cartão no período de 3 a 9 de novembro, a média entre os 50 bancos pesquisados pelo BC cai para algo bem próximo de 289,6% ao ano ou 12% ao mês.

E o consumidor pode estar pagando menos que isso, já que em quatro dos cinco maiores bancos do País a taxa do cartão está próxima de 213% ao ano ou 10% ao mês.

Banco Juro ao ano Juro ao mês

BB 216% 10,07%

Itaú 218% 10,11%

Santander 231% 10,48%

Caixa 249% 10,98%

Bradesco 695% 18,86%

(*) Média entre os rotativos

Esse juro do cartão que vai acima, divulgado pelo BC, corresponde à média das taxas do rotativo regular, em que o consumidor paga o mínimo exigido por lei, ou 15% do total da fatura, e do rotativo não regular, em que não há nem o pagamento dessa parcela mínima.

Lembrando que nos dois tipos de financiamento, regular e não regular, a taxa pode ser cobrada por um mês. No fim desse período, ou o consumidor liquida o total da fatura ou negocia a dívida com o banco em outras condições, com número fixo de parcelas e juros.

Abrindo um pouco mais as informações do BC, é possível perceber que no rotativo regular as taxas estão em nível ainda mais baixo. Veja que em dois dos maiores bancos, elas são inferiores a 10% ao mês.

Rotativo regular

Banco Juro ao ano Juro ao mês

BB 183% 9,06%

Santander 199% 9,55%

Itaú 214% 10,01%

Bradesco 215% 10,04%

Caixa 244% 10,83%

Se é assim, se as taxas estão mais baixas no regular, o que puxa a média do juro do cartão é o que está sendo cobrado no rotativo não regular, especialmente por Bradesco, 783% ao ano, e Santander, 652% ao ano.

Os juros mais altos, nesse caso, criam uma dificuldade adicional porque estão sendo repassados a quem não já não tem condições sequer de pagar a parcela mínima do saldo devedor. O consumidor tem a dívida aumentada de forma expressiva antes da renegociação. De um mês para outro, ela fica quase 20% maior no Bradesco e 18% no Santander.

Na Caixa, essa taxa do não regular está em 251% ao ano; no Banco do Brasil, 247% ao ano, e no Itaú, 218% ao ano.

Novo cenário

Com a queda dos juros no cartão, o cheque especial assume a liderança da linha de crédito com as taxas mais salgadas do mercado. Mesmo com os repetidos cortes da taxa básica da economia neste ano, o juro do cheque especial, faça chuva ou faça sol, é mantido pelos grandes bancos na casa dos 12% ao mês. Com pequenos ajustes decimais, é esse o nível desde o início de 2017. A exceção é o Santander, com um juro de quase 15% ao mês.

Cheque especial (*)

Banco Juro ao ano Juro ao mês

Caixa 306% 12,38%

BB 308% 12,44%

Bradesco 309% 12,45%

Itaú 312% 12,53%

Santander 423% 14,79%

(*) Período de 3 a 9 de novembro, fonte Banco Central

Tire proveito

Todos esses números podem ser muito úteis para quem se preocupa com uma administração mais eficiente do orçamento.

Quem não tem condições de pagar o valor total da fatura do cartão não deve ter dúvidas de levantar outro tipo de financiamento, com juros mais baixos. O crédito consignado, por exemplo, tem uma taxa de 2% a 3% ao mês para aposentados, servidor público e quem recebe o salário com crédito em conta corrente.

Há várias financeiras que oferecem crédito pessoal pela internet. Por trabalhar com custos mais baixos, essas instituições costumam cobrar taxas médias entre 3% e 4% ao mês em transações online. Nos grandes bancos, os juros nessa mesma linha de empréstimos oscilam de 4% a 6% ao mês. Opções bem mais camaradas do que as do rotativo ou cheque especial.

Por isso, a mesma providência pode ser tomada por quem avança com frequência no limite especial da conta corrente. Especialmente agora que se tornou uma modalidade de crédito até mais cara que o rotativo do cartão.

Fonte: Estadão

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