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Sindicalista simula agressão por vigilantes na entrada da Nestlé


Derlan Nestlé

O sindicalista Derlan Queiroz conversa com o vigilante na entrada da fábrica da Nestlé em Feira de Santana, entre duas grades baixas que fazem o bloqueio da passagem. No vídeo gravado pelo seu próprio pessoal, no dia 11 de outubro, ouve-se Derlan questionar: "Quem não tem acesso?". "Você", responde o vigilante, que posiciona a mão esquerda sobre uma das grades, para criar com o braço uma barreira extra.

De repente, Derlan se agacha, e num movimento rápido de surpresa, tenta passar por baixo do braço do vigilante. O funcionário da segurança bloqueia a passagem e como resultado o sindicalista cai no chão. Grita alto várias vezes, como se tivesse tomado uma forte pancada. Rola no chão e ao ver o óculos que tinha caído junto com o rádio de comunicação do vigilante, bate com força no objeto, destruindo-o.

Põe a mão sobre a barriga, grita mais um pouco, levanta já sem qualquer sinal de dor e acusa o oponente. "Quebrou meu óculos, vai pagar meu óculos", ao mesmo tempo em que anda célere em direção à empresa, quando é novamente barrado, enquanto bota o dedo na cara do vigilante e insiste: "Quebrou meu óculos, vai pagar meu óculos".

Colegas de Derlan estão presentes. Ouve-se "Você vai bater nele?", e os vigilantes suspendem as mãos para indicar que não estão agredindo.

Quando algum deles afirma que Derlan se jogou, alguém rebate: "Se jogou não. Vocês que empurraram!".

O vídeo deixa claro que a alegada agressão foi simulada e que o próprio sindicalista quebrou o óculos propositalmente. Mesmo assim o episódio motivou o "Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de alimentação e afins da Bahia" a prometer denunciar a empresa em audiência solicitada ao governador Rui Costa, que ainda não ocorreu. "A Nestlé recebe incentivos fiscais do governo e fere literalmente as relações de trabalho", afirma matéria postada no site do sindicato no dia 13 deste mês.

O sindicato afirma que além da "agressão" a Derlan, "o militante social Janderson Santana foi vítima de racismo". Um vigilante teria questionado "o que esse negrinho quer aqui filmando?". Este trecho não consta no vídeo de um minuto e meio que chegou à redação do Sala de Notícia, embora haja uma pequena discussão sobre o direito dele filmar ali.

O Sindalimentação acusa a empresa de ter suspendido ilegalmente um funcionário dirigente sindical, fator que é um dos principais motivos para o atual clima de confronto entre as partes. Não está em época de dissídio coletivo, mas os sindicalistas vêm denunciando o que consideram más condições de trabalho, "com risco à vida dos funcionários".

Derlan disse ao Sala de Notícia que o próprio sindicato liberou o vídeo na internet e que há mais trechos mostrando outras situações. Ele reconhece que houve repercussão negativa mas avalia que a discussão traz a oportunidade de questionar a postura da empresa, que estaria se fechando à negociação e restringindo a negociação aos advogados das partes. "O vídeo já chegou à Suiça", comemora, citando o país onde a empresa tem sua sede. "O objetivo foi alcançado", conclui. O Sindalimentação está tentando agendar um espaço na Câmara Municipal, a chamada tribuna livre, para falar dos problemas com a empresa.

Em comentários de postagem do vídeo no Facebook, os críticos são implacáveis contra Derlan: "Que papelão", "Cheguei a pensar que tava tendo uma crise epiléptica", "Desequilibrado", "Palhaçada", "Muito ruim o ator", são alguns deles.

A empresa foi procurada mas não respondeu ao nosso contato.

VEJA ABAIXO O VÍDEO

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