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Irmãs viajam a América do Sul em motorhome


Chuva, animais na pista, pneu furado, curvas sinuosas, dormidas em postos de gasolina. Parece vida de caminhoneiro, mas é a aventura que duas irmãs estão vivendo em estradas do Brasil e países vizinhos.

As irmãs Nadja e Lola Sampaio decidiram pegar a estrada em julho deste ano e encarar esse desafio com a proposta de visitar os familiares que não viam há muito e conhecer centros culturais budistas, religião de ambas. “Este ano eu quis conhecer esse jeito de olhar para o mundo”, revelou Lola.

Nadja, que desde 2001 começou a fazer viagens com a sua Kombi, convidou a irmã Lola para embarcar em um motorhome e encarar a estrada. “Começamos pelo Brasil visitando parentes que não víamos há muito tempo. A Nadja veio do Rio com o motorhome, me pegou em Feira de Santana e seguimos para Aracaju. De lá, passamos por vários estados até chegarmos em Florianópolis.

Chamamos esse primeiro momento de Rota do Afeto, pois em cada cidade tivemos a oportunidade de abraçar antigos amigos e parentes”, declarou Lola.

O motorhome é uma caminhonete adaptada, que precisou ser regularizada nos órgãos de trânsito. Em 2013, Nadja o transformou em casa, colocando cama, sofá e fogão. Ela costuma fazer quatro viagens anuais.

Segundo Nadja, “viajar de motorhome não é nenhum problema, mas precisa ter disposição para enfrentar quase tudo, e até mesmo algumas vezes dormir na rua. Não tenho medo e nada de grave aconteceu comigo até hoje. Nunca fui assediada nas estradas ou me senti ameaçada por algo violento. Pelo contrário, no Brasil, há postos de combustíveis com infraestrutura para atender aos viajantes”.

Depois que saíram do Brasil, as irmãs aventureiras passaram pelo Paraguai e hoje estão no Atacama, Chile. Para Nadja o ponto de partida de qualquer viagem é o planejamento: “Escolho qual vai ser o ponto final da viagem. A partir daí, vejo mapas, traço rotas, calculo os custos que terei com combustível, faço uma vistoria geral no meu motorhome e aí, sim, pego a estrada. Como sou muito organizada, anoto tudo em uma planilha para não ter problemas depois. A viagem tem que ser prazerosa, porém controlada, para não virar um pesadelo”.

As duas dividem o volante na estrada. “Uma assume o volante pela manhã e a outra pela tarde. Não dirigimos à noite”, explicou Lola. A rotina das irmãs se resume a tomar café ao acordar, fazer o Gongyo (mantra budista), tirar o lixo e limpar a “casa”. O diferencial vem depois: “Logo em seguida decidimos se vamos passear, explorar a cidade, visitar os centros culturais budistas, nosso maior objetivo da viagem, ou se seguimos para a estrada”, revelou Lola.

Lola e Nadja pretendem passar pelas cidades de Viña del Mar, Valparaíso e Puerto Monte, ainda no Chile. Depois, seguirão para Argentina e Uruguai. Planejam retornar ao Brasil em dezembro de 2017 com muitos quilômetros rodados e a bagagem cheia de novas experiências.

Lola, que comprou uma Kombi pretende fazer dela a sua casa itinerante: “Penso em ter meu ponto fixo, e sem pagar aluguel. Vou comprar um terreno e fazer uma casa biossustentável para mim. Terei minha morada fixa e a itinerante”.

Lola, deve pegar o veículo em Florianópolis e voltar dirigindo para Feira de Santana, seu ponto de partida.

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