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Maioria dos deputados baianos ficou contra Temer


Na contramão do resultado nacional que liberou por 264 votos o presidente Michel Temer de ser investigado enquanto estiver no cargo de presidente, na Bahia, Temer obteve 21 votos pela sequência da denúncia de corrupção e 17 pelo arquivamento do processo. O deputado Ronaldo Carletto (PP/BA) foi a única ausência na votação - embora estivesse na Câmara, ele não conseguiu chegar a tempo de votar quando seu nome foi chamado.

A TARDE conversou com alguns deputados do estado após o resultado da sessão de quarta-feira, 2. “Segui a orientação do partido. Como advogado analisei a denúncia, e nossos advogados do partido analisaram a robustez das provas. Para você denunciar um presidente precisa ter provas muito mais contundentes”, disse Mário Negromonte Jr, do PP-BA.

Questionado se votou de forma diferente do que orientou seu partido, emendou que as provas da denúncia “ficaram muito aquém do que se pensava, do que se achava”.

Uldorico Jr, do PV-BA, votou pela admissão do processo e defendeu sua posição: “Fiz questão de analisar a opinião da minha região, de acordo com o que eles esperavam; 95% da população avalia o governo como ruim ou péssimo e o papel do deputado nada mais é do que representar”, disse.

Em relação ao levantamento produzido por A TARDE no último domingo, antecipando a tendência de voto dos parlamentares da Bahia, não houve mudança significativa de conduta. Quem tinha afirmado publicamente que votaria contra o governo se manteve durante a sessão de quarta.

Parlamentares que até então estavam indecisos optaram, em sua maioria, por votar a favor do relatório do deputado Paulo ABI-Ackel (PSDB-MG). Este foi o caso de José Carlos Araújo (PR/BA), Roberto Britto (PP/BA), Elmar Nascimento (DEM/BA) e Paulo Azi (DEM/BA).

Indecisos

Os deputados que não haviam declarado voto eram 13. Na votação, sete optaram por apoiar o governo: Benito Gama (PTB), Erivelton Santana (PEN), Márcio Marinho (PRB), Pastor Luciano (PRB), João Carlos Bacelar (PR), Mário Negromonte Jr (PP) e Claudio Cajado (DEM). Já seis foram contrários: Irmão Lazaro (PSC), Uldorico Jr (PV), Antonio Brito (PSD), Paulo Magalhães (PSD), Sérgio Brito (PSD) e José Nunes (PSD).

Momento curioso foi quando o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, foi chamado para votar e, de forma irônica, anunciou seu voto para ‘Robinson’ que, segundo ele, filmava o momento em que iria dar seu voto ao microfone. Lúcio se referia ao suplente Robinson Almeida (PT), que, junto com Davidson Magalhães (PCdoB), teve de deixar o cargo às pressas na terça, 1º, em razão de que os titulares Josias Gomes (PT) e Fernando Torres (PSD), ambos secretários de governo da Bahia, foram exonerados pelo governador Rui Costa (PT) só para votarem na quarta.

Josias Gomes e Fernando Torres (PSD) declararam apoio ao prosseguimento da denúncia.

O deputado Daniel Almeida (PCdoB) aproveitou o momento da votação para citar a exoneração dos secretários estaduais, que alterou a composição da bancada. “Em nome do deputado Davidson Magalhães, que foi retirado dessa votação, e em meu nome, voto não”.

Jonga Bacelar (PR) também mandou recado ao se pronunciar em favor do parecer, “com ciência do meu governador”.

Estados

Dos 26 Estados e mais o Distrito Federal, Michel Temer só foi derrotado em oito Estados. Outros dois deram empate.

Acre (6 x 2), Bahia (21 x 17), Ceará (11 x 9), Espírito Santo (8 x 2), Rio de Janeiro (23 x 20), Rio Grande do Sul (18 a 12), São Paulo (39 x 29) e Sergipe (6 x 2) foram os 8 estados em que Temer não conseguiu vencer. Alagoas e Mato Grosso do Sul registraram empate.

Nos estados onde Temer prevaleceu tiveram mais destaque Minas Gerais, que deu 33 votos a favor do presidente e 18 contra. Um 7 x 1 aconteceu em Mato Grosso. Roraima também deu goleada (6 a 1) assim como Goiás (12 a 4).

Entre os pernambucanos, ao todo, 13 se posicionaram a favor do parecer que pedia rejeição da denúncia e 11 contra. Houve, ainda, uma ausência entre os pernambucanos. Os deputados representantes de Alagoas foram os últimos a votar sobre o encaminhamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva. Ao todo, quatro se posicionaram a favor de Temer e quatro contra. Houve, ainda, uma ausência.

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