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Últimos dias de pilhagem dos municípios

Recebi a primeira de muitas informações do tipo que virão até os primeiros quinze dias de janeiro, sobre prefeituras depenadas pelos gestores que vão embora junto com o ano velho. Este primeiro caso que me chega passa-se em Riachao do Jacuipe, onde segundo o prefeito que aguarda a posse na próxima semana, o atual ja deixou de lado a limpeza pública, selou acordo para pagamento de dívida com o governo federal que compromete gravemente a receita futura e encerrou um contrato de gestão terceirizada do hospital, o que poderá inviabilizar seu funcionamento. Até a estrutura para tratamento e prevenção da covid estaria paralisada. O caminho para a prática de maldades deste gênero pelo prefeito ou grupo político derrotado é imensamente facilitado pelo longo prazo entre a derrota nas urnas e a posse do eleito. Em anos normais são quase três meses entre o primeiro domingo de outubro e a posse em 1 de janeiro. Em 2020 a pandemia encurtou o período para um mês e meio, o que ainda assim é tempo demais. Já fiz algumas reportagens sobre o tema pelo interior quando repórter do moribundo jornal A Tarde, que hoje não tem mais sucursais neste vasto território baiano. Encontrávamos eu e o fotógrafo, carros sem rodas e motor, computadores sem HD, gavetas vazias. Há três motivações principais para a prática de crimes por parte de quem deixa o poder 1 - esconder provas de roubo 2 - roubar o que ainda for possível 3 - atrapalhar tanto quanto possível a administração do sucessor. Incrível que não se observe um movimento na direção de mudar a legislação, para aproximar eleição e posse (por mim poderia ocorrer em 15 dias). O ganho para a população que escolheu trocar o comando da cidade é óbvio. Para os eleitos, me parece ainda maior o benefício. Mesmo onde não há desonestidade daqueles que vão passar o bastão (acredite, existem pessoas e lugares assim), passada e perdida a eleição, vai embora o apetite para o trabalho, de quem ocupa cargos temporários, o que torna-se um fator a mais a prejudicar a administração da cidade e por extensão todos os seus habitantes.

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